OS AMIGOS

Para que Servem os Amigos?

Há 3 semanas passadas interrompi minhas atividades em São Paulo e corri para Minas face ao falecimento de minha sogra. Fiquei muito triste e por lá permaneci entre amigos e familiares. Suspendi uma agenda apertada de atendimentos, reuniões e compromissos. Mas, só trabalho para amigos de forma que todos me compreenderam e tornaram tudo mais fácil.

Voltei a São Paulo e ao trabalho, aos amigos daqui. Em um universo onde existem tantas piadas sobre sogras (cuja moral subjacente assenta-se em mitos da relação pais e filhos) o episódio me surpreendeu pelo forte impacto sentimental,  (quem tem afeto, carinho e amor pela sogra pode me compreender com perfeição, quem não tem pode me compreender também). Já chorei o felecimento de mãe e pai, nesta ordem e com toda a intensidade que tais eventos possuem em nossas vidas. Ajudei esposa, cunhados e cunhadas e ao sogro neste momento difícil, afinal já havia vivido a mesma dor.

Ao voltar a São Paulo, na primeira terça feira o destino  me levou a Belo Horizonte,  acompanhado do advogado e amigo Dr. Henrique Dias, novamente e rapidamente em Minas, agora trabalhando, entre amigos.

Passei o dia com o Dr. Henrique, fui/voltei, continuei trabalhando. Mas lá no fundo, em um lugar que não se conseque identificar na anatomia, uma dor silênciosa, a dor do luto. Confesso que só após 12 dias do falecimento de minha sogra retomei ao meu eixo, ao meu normal (como se diz). E, foi determinante, para o regresso à paz do dia a dia, uma troca de telefonema onde o Dr. Henrique me entregou uma generosa palavra de conforto. Ele e outros amigos me ajudaram muito, sou grato a todos, bom…. nem precisa, são meus amigos e flutuam acima de tudo, da gratidão inclusive.

O encanto da vida está na vida: ontem fui surpreendido com a notícia do falecimento do Lincoln,  um jovem de 20 anos, o filho do Dr. Henrique. A família é de São José do Rio Preto. Ainda não falei com o Dr. Henrique.

“Quem consola será consolodo”, pensei na frase franciscana… não gosto de citar santos em meus textos porque os leitores são das mais diversas crenças (e nem todos são santos)… mas pensei exatamente nesta frase e na inversão de papéis. Guardei silêncio para o Lincoln, para o Henrique, ainda não chegou a hora de devolver-lhe as palavras.

“Quem consola será consolado”, esteja preparado para um e outro papel, o de consolado e o de consolador, a vida lhe colocará em uma e em outra personagem quando você menos esperar.

Para que servem os amigos? Os amigos servem para as horas difíceis ou não servem para nada. Para as horas boas, não precisa exigir que o interlocutor seja amigo, qualquer um consegue se fazer presente nas horas fáceis da vida. Mas, nos momentos extremos, quando ninguém consegue entrar em seu universo quando este se torna íntimo em absoluto, só você… e os amigos, os autorizados.

“Estar preparado”, tanta leitura, tanto estudo, tanta preparação… justamente para estarmos preparados. Para que? Para o que der e vier!

Viva a vida!

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  1. Marcos apostolo
    junho 23rd, 2009 at 09:33 | #1

    Agradeço os seus ensinamentos e palavras de conforto ao meu amigo Dr. Henrique que tive a honra de apresenta-lo e fico muito feliz pela amizade que voçes construiram. Aliais como é bom apresentar grandes amigos para grandes amigos.

    Que o senhor continue com essa alma de poeta que mesmo nos momentos dificeis encontra as palavras que confortam.

    • junho 24th, 2009 at 09:34 | #2

      Marcos, se fizer um inventário do que você mais faz na vida vai constatar que é exatamente isso: apresentar pessoas a outras pessoas e construir relações de valor.
      Um abraço aos amigos de São José do Rio Preto, a maioria deles justamente apresentados por você!

  2. junho 23rd, 2009 at 10:06 | #3

    Como te disse em email recente, passo por aqui sempre, contudo sem muito tempo pra comentar. Mas hoje, essa tua postagem tá além de qualquer medida de tempo ou ocupações, parei tudo. Pouco podemos falar sobre perdas, apenas sentir, cada um tem as suas e estamos sempre trocando de lugar nessa ciranda. Sobre amigos, nosso coração é quem fala, “Aqueles que passam por nós, não vão sós e não nos deixam sós. Deixam um pouco de si. Levam um pouco de nós.”

    Sempre sábias tuas palavras, Nacir.

    Beijos

    • junho 24th, 2009 at 09:24 | #4

      Berenice, que ótima visita você nos faz nestas páginas. O post peca pelo título, porque poderia ser AS AMIGAS. O masculino foi empregado em homenagem ao Henrique, mas é extensivo a você minha amiga!

  3. Liliani B. Henriques
    junho 24th, 2009 at 15:53 | #5

    Dr. Nacir, apenas Nacir em meu coração, sim, amigo de infância e de sempre, você tem toda razão; quem tem amigos e quem tem Deus em sua vida, tem tudo, está preparado para o que der e vier! Obrigada e um grande abraço.

  4. Gloria Sebben
    junho 24th, 2009 at 18:55 | #6

    As luzes quando se apagam, deixam em nós a escuridão.
    Sua ausência dá o contraste para nossos olhos poderem captá-la, porém, passados alguns instantes, nossos olhos se acostumam a ela e começam a vislumbrar, definir algumas formas, começam “a ver” na escuridão.
    Assim também ocorre com a ausência de alguém que parte; o contraste de sua presença nos faz sentir a sua ausência. Aos poucos acomoda-se em nós o desconforto dessa ausência e fica então a doce saudade. Se dermos tempo ao nosso coração para que, como os olhos, se “acostume” com a ausência, ele também poderá vislumbrar e definir a presença mais sutil. Como as formas e objetos que não deixaram de existir com a escuridão, apenas tornaram-se mais sutis, necessitando de maior sensibilidade para serem vistas.
    Quanto sofrimento poderíamos evitar se realmente soubéssemos disso!
    Nacir, deixo aqui um texto que foi enviado por um grande amigo, que nas horas de angustia e saudadedes releio e me faz bem…
    Abraços,
    Gloria

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