O que VALE mais:
as Minas ou os Mineiros?
A MMX publicou hoje FATO RELEVANTE comunicando o acordo celebrado com o grupo mineiro VETORIAL, para a venda de ativos operacionais. A transação, firmada em plena crise da siderurgia mundial, é da casa de R$ 126.000.000,00 sendo R$ 86.000.000,00 acordado para pagamento à vista, envolve ativos siderúrgicos no Brasil e no exterior.
A VETORIAL, (que já instala uma nova planta na Argentina, em EntreRios), na prática, dobra sua capacidade produtiva e é mais um exemplo de empresa que cresce na crise face a uma estratégia fundada no conhecimento e no exercício ao extremo de suas vocações.
O negócio inclui o ativo da EBX (controlada da MMX), a polêmica “planta de metálicos” de Germán Busch que ocupou o noticiário quando do início do governo de Evo Morales na Bolívia. Por tal motivo recupero uma frase de um empresário boliviano, cientista conhecedor dos segredos da transformação do gás em óleo diesel (tecnologia estratégica para a Bolívia que possui muito de um e nada do outro) quando à frente da GTL Bolívia S/A assim dialogou comigo:
“Kiin, como boliviano, como você percebe o Brasil?“
“Nacir, o Brasil é grande, possui ativos minerais em quantidade e diversidade, mas o principal ativo de uma pátria (dito assim mesmo, em tom de estadista) é o seu conhecimento: o principal ativo do Brasil é seu capital humano.“
Ancorei este texto em uma fala do Luís Kiin Franco porque a ele fui apresentado pelo próprio Dr. Ronaro Corrêa, que junto com seu irmão Dr. Romero Corrêa colocaram na cena Gustavo, Cristiano, Rone e Marcelo que por sua vez encontraram no caminho uma jóia como Dr. Eduardo Luso e uma jazida de mineiros preciosos. O Kiin esta corretíssimo. Assim como o maior ativo do Brasil são os brasileiros, acima das Minas os Mineiros!
Parabéns à Vetorial e seu Presidente Gustavo Trindade Corrêa.
Parabéns à MMX e seu líder Eike Batista.





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2 usuários respondeu esse post
Querido Nacir, Otimo comentario a respeito recente evento entre MMX e Vetorial Grupo. Eu gostaria de entender porque a MMX vendeu para o grupo a sua planta de gusa…deviam ter varios outros compradores…sera que ela ja tinha relacao com o grupo anteriormente? queria entender a logica =)
aguardo comentarios!!
Abracos,
Raffaele
Oi Raffaele,
Não sou propriamente o mais qualificado para responder à sua pergunta de forma que tratarei este comentário como um diálogo não como uma resposta. Para facilitar a minha vida, dividirei a questão em 3 partes: a) porque a MMX vendeu a sua planta de gusa; b) se deviam ter vários outros compradores; c) se a MMX tinha relação com o grupo anteriormente;
a) porque a MMX vendeu a sua planta?
Não só a MMX mas todo o setor mínero-siderúrgico foi impactado pelo desaquecimento da economia global. Um dominó de plantas paralisadas, vamos recuperar a memória recente nas páginas da Gazeta Mercantil, VALOR e agências especializadas:
“AUMENTA A CRISE EM MINAS GERAIS
…
….confirmou ontem as 2,5 mil demissões anunciadas no dia anterior pelo sindicato patronal da indústria de ferro- gusa (Sindifer) e acrescentou mais mil trabalhadores à lista de dispensados…..
… a situação é mais grave na cidade de Itaúna onde quatro usinas de ferro- gusa encerraram suas atividades e em Divinópolis onde a Gerdau paralisou a operação da sua siderúrgica e concedeu férias coletivas aos trabalhadores. “As férias coletivas são as ante-salas das demissões. Há cerca de 15 mil trabalhadores em casa e não sei o que acontecerá com eles a partir de janeiro, quando voltarem ao trabalho”, declarou.
…
O sindicato teria sido informado pela mineradora que a empresa prosseguirá no programa de demissões caso a situação internacional não melhore.”
…
… foram homologadas 600 demissões da Sales Gama e mais 50 na Bailak, empresas fornecedoras da Vale em Itabira, além do corte de 200 empregados da usina de gusa Socoimex, na mesma cidade, que teria encerrado as atividades. Em Lavras, foram homologadas 250 demissões da fábricas da Cofap e 80 na TRW. Em Itaúna, encerraram as atividades as usinas de gusa Piratinga, Fergominas, Itametal, Transtril, com demissões de 490 trabalhadores. A ArcelorMittal colocou 120 empregados em 30 dias de férias. Também a BMB, subsidiária do grupo que produz fios de aço para pneus, colocará cem empregados em férias a partir do dia 17.
Também paralisaram as atividades as usinas Unisider, União, Divigusa, Gafanhoto, Carmense, Siderplata, Mati Prima I e II. A Gerdau paralisou as atividades da siderúrgica da cidade, com férias coletivas que foram concedidas também pela usina Álamo e por diversas fundições de pequeno porte. Em Itajubá, a fábrica da Delphi colocou seus 3,3 mil empregados em férias. Em Governador Valadares a Usival encerrou suas atividades, e a Tudor deu férias coletivas a 500 funcionários. A fábrica de baterias Raio M colocou 70 funcionários de férias. A relação não inclui trabalhadores da região metropolitana de Belo Horizonte nem de regiões importantes, como Sete Lagoas ou de Ipatinga.”
(Anexo 1: Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 7, Durval Guimarães, 11/12/2008 01:08:56)
“A Usiminas decidiu suspender temporariamente a operação do Alto Forno 1 da Usina Intendente Câmara, em Ipatinga (MG) … …
Com isso, a produção de ferro gusa será reduzida em aproximadamente 90 mil toneladas”
(Anexo 2: InvestNews, 12/12/2008 21:35:52)
“… a Usiminas vai reduzir em 390 mil toneladas a produção de ferro-gusa na Usina Intendente Câmara, na cidade mineira de Ipatinga…. …a siderúrgica interrompeu a produção do alto-forno 1, que permanecerá suspensa até o final de janeiro. … a operação do alto-forno 2 da usina está paralisada para manutenção dos equipamentos, processo inicialmente previsto para junho de 2009.
…
… estavam em operação apenas seis dos 36 altos-fornos localizados em Sete Lagoas, que detém cerca de 40% da produção mineira de gusa. Dessa meia dúzia restarão apenas quatro a partir de hoje, quando as siderúrgicas Gerdau e Plantar suspendem as atividades na cidade e colocam os funcionários em férias.
…
A situação não é diferente na região de Itaúna e Divinópolis, que responde por outros 40% da produção mineira. Mais de 80% dos seus fornos foram abafados segundo sindicatos patronais e de empregados. De acordo com o principal executivo da siderúrgica Siderpa, Gustavo Paulino, o preço do da tonelada ferro gusa caiu de US$750 para US$350.”
(Anexo 3: Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 5, Luciana Collet e Durval Guimarães, 15/12/2008 01:39:17)
“A Usiminas anunciou ontem a interrupção das operações do alto forno 1 da usina José Bonifácio de Andrada e Silva, em Cubatão (SP).”
(Anexo 2: Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 7, Luciana Collet, 5 de Março de 2009 )
“Brasileira Margusa encerra produção”
“… a companhia está encerrando a produção, possivelmente em caráter permanente. As atuais condições do mercado e os custos de produção inviabilizam financeiramente as exportações para os Estados Unidos, o principal mercado comprador da companhia.”
Publicação: Steel Business Briefing, 13/3/2009
“Siderurgia corta de novo a produção
A Usiminas decidiu paralisar, por tempo indeterminado, o alto-forno nº 1 da usina de Cubatão, reduzindo a 50% sua capacidade de produção de aço bruto. Castello Branco, da Usiminas: usinas nacionais já estão sendo prejudicadas pelas importações, especialmente as provenientes da China
A Usiminas decidiu paralisar a partir de segunda-feira, por tempo indeterminado, o alto-forno nº 1 da usina de Cubatão, na Baixada Santista. Com isso, a companhia passará a ter três de suas cinco unidades de produção paradas. “Não vemos entrada de pedidos suficientes dos consumidores nem sinais mais consistentes de demanda no segundo trimestre”, disse Marco Antônio Castello Branco, presidente da empresa. Assim, a Usiminas reduz a 50% sua capacidade de produção de aço bruto.
A empresa não está sozinha. A CSN, outra produtora de aços planos, também vai paralisar por 40 dias, a partir do dia 15, o alto-forno de nº 2, que responde por cerca de 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ), da ordem de 5,6 milhões de toneladas por ano.”
(VALOR on line, Ivo Ribeiro e Vera Saavedra Durão, 05/03/2009)
As páginas dos jornais são o documento de uma fotografia radical: nunca tantos portões se fecharam ao mesmo tempo, em tantas plantas, no mesmo segmento. Assim, fica fácil constatar que não só a MMX mas todo o setor estava na busca urgente de uma solução. A MMX encontrou uma SOLUÇÃO DE MERCADO, uma decisão contextualizada em um ambiente de paralisação setorial de agudas proporções.
Assim, com suporte na crônica jornalística dos fatos e do ambiente de inércia paralisante, creio ter encontrado resposta para a primeira parte de sua pergunta…
porque a MMX vendeu a sua planta de gusa?
Vendeu porque pôde, porque teve a oportunidade que o setor não encontrou de ver em suas vizinhanças um player cuja presença geo-econômica no Mato Grosso do Sul e cuja rota de crescimento atraia por gravidade os ativos da MMX.
A VETORIAL não é uma empresa cuja percepção de tamanho é extraída das páginas dos jornais: mineiros, discretos, cabeça baixa porque olhando para cada centímetro do chão que pesquisam, a Vetorial tornou-se a maior operadora industrial mínero-siderúrgica do Mato Grosso do Sul, muito antes de atender a um telefonema da MMX. E, nesta condição, recebeu o primeiro alô, não só da MMX mas de todo um setor, creio eu. Respondeu positivamente ao negócio acordado com a MMX face a adesão do ativo produtivo à sua própria arquitetura de negócios: não fosse a Vetorial a empresa mineira de maior expressão no segmento, no mesmo Mato Grosso do Sul… não estaríamos a comentar o negócio, pois negócio não haveria.
Para ficar mais fácil ainda a resposta, fosse simplesmente Mato Grosso o teatro de operações da Vetorial, a MMX não teria a mesma sorte.
Avancemos:
b) se deviam ter vários outros compradores;
Não, com o setor paralisado o que encontro neste país são outros VENDEDORES… A Vetorial se estivesse apenas comprando uma planta de gusa, teria todo o país para prospectar e não causaria nenhum constrangimento ou contratempo a nenhuma das plantas por ocasião das visitas técnicas porque a grande maioria ou estava paralisada ou estava em baixo rítmo de atividadade. Mas, o vetor da Vetorial está focado no Mato Grosso do Sul, sorte da MMX!
Por fim, na última parte da questão posta:
c) se a MMX tinha relação com o grupo anteriormente?;
Não, que seja do meu conhecimento, não. A Vetorial era, antes da relação comentada, a maior do setor no MS. A MMX era uma empresa do setor em busca da mesma solução de mercado que todo o setor busca de Norte a Sul do Brasil. A MMX movimentou-se com capacidade de despertar o interesse da Vetorial para o negócio, um negócio para o qual a MMX não encontraria nenhum outro interlocutor no mundo senão a Vetorial, muito menos por qualquer outro motivo senão o fato de, no Mato Grosso do Sul, ser a Vetorial a compradora natural face ao ganho de escala obtido pela Vetorial.
Sou mais um que sei que nada sei, mas do pouco sabido, escrevo estas linhas na expectativa de ter aclarado as pertinentes questões levantadas pela Raffaele, cuja inteligente visita agradeço e espero ver sempre nestas páginas.
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