CONSTRUINDO PONTES COM O INTERLOCUTOR
Leitura recomendada na Vídeo Aula 3 do Curso
Dr. Negociação – Negociações Complexas
Estabelecer confiança no interlocutor ou entre as partes é tarefa essencial para o êxito em uma negociação. Quando se
trata de recuperar relações deterioradas, restabelecer a confiança é de igual peso, mas não de igual facilidade: reconstruir pontes exige mais investimento do que construir, quando se trata de relacionamentos sensíveis aos estoques de expectativas e frustrações, ódios, paixões e interesses.
No dircurso em Berlin, dedicado às relações com a Europa todos os ingredientes para o êxito da comunicação estão presentes. Barack Obama é tão exitoso nesta tarefa que tem que administrar críticas travestidas de elogios daqueles que dizem que seria mais acertado que houvesse ganho o Prêmio Nobel da Comunicação, se existente.
Consegui um vídeo curto, onde você poderá encontrar uma coleção de acertos, em menos de 1 minuto de pronunciamento:
A Escola de Havard de Negociação foi respeitada em seus fundamentos neste pronunciamento cirúrgico do presidente americano.
1 ) Reconhece a atribuição de culpa à América, sem entrar no mérito, afinal ele se candidatou para mudar um modelo não para defendê-lo:
“…a visão de que a América é parte do que deu errado em nosso mundo, ao invés de ser a força que o ajudava a corrigi-lo…“ …”
Prestigiou a opinião dominante na Europa, quem prestigia pode ser prestigiado;
2) Reconhece que a América não colaborou e na sequencia pede a colaboração:
“ao invés de ser a força que o ajudava a corrigi-lo…”
3) Reconhece existir diferença entre as partes:
“… sim, tem existido diferenças entre os EUA e a Europa.”
Advogo que para tratar um problema é necessário reconhecê-lo.
4) Sinceridade: a outra parte nunca será contra afirmações sinceras, não há negociação bem sucedida sem este cimento;
“… e não temos dúvidas de que teremos diferenças no futuro”
5) INTERESSES COMUNS ACIMA DAS DIVERGÊNCIAS. Compartilhamento: responsabilidades comuns acima das posições. Os interesses de cada uma das partes deve estar acima das posições. Partes fortemente posicionadas estão estacionadas. O melhor vetor para retirar as partes da inércia do posicionamento é o caminho até ao interesse comum.
“… mas, as responsabilidades de uma cidadania GLOBAL, continuamente nos mantém unidos.“
6) Mudança: recordar ao interlocutor de que a voz da mudança é requisito para resgatar confiança e restabelecer a comunicação:
“… Uma mudança na liderança em Washington não deixará de lado esta responsabilidade“
7) COOPERAÇÃO E COMPARTILHAMENTO: novamente a aliança de interesses comuns é realçada;
“… neste século, tanto a americanos como a europeus será requerido fazer mais e não menos…“
Neste ponto o discurso trabalha com uma crença européia: a de que é o eixo sobre o qual gravita o mundo. A Europa luta contra a expressão Velho Mundo, porque entende que a mesma significa algo como “página virada“. Também se ressente da perda da hegemonia para a América. O discurso agrada ao público alvo, mas desagrada ao conceito de multilateralismo, o poder pulverizado por todo o planeta. Mas, lembre-se, o discurso foi feito em Berlin, em uma turnê européia. Esta é a maldição de líderes globais, suas palvras nunca se circunscrevem no âmbito restrito do público alvo e, portanto, agrada gregos mas não troianos.
8 ) Argumento da ESCOLHA NATURAL, aquela que se coloca como a única opção em um cenário em que não há alternativa melhor:
“… parceria e cooperação entre as nações não é uma escolha…“
9) Escolha comum para proteger interesse comum:
“… é o único caminho, o único para proteger a nossa seguraça comum…“
O principal eleitor de Barack Obama foi Bush (pai e filho, tanto faz).
Assim, Obama parece reservar para Bush o trabalho sujo de tornar explícito os fundamentos da Escola de Chicago: o temor, o medo como forma de permissão para a mudança. A Escola de Chicago esta relacionada ao que hoje se chama de Doutrina do Choque e suas premissas assentam-se nos ensinamentos de Milton Friedman que, no Governo Bush foi entronizado como política de estado, de estado de choque.
Assim, ao referir-se ao interesse comum (“nossa segurança comum”) Obama capitaliza a seu favor o estado de choque produzido pelo belicismo de seu oponente republicano e, de resto, pela história explosiva da Europa. Com elegância e estilo, mas não se pode negar que o medo foi invocado como o motivador da implementação de algo mais nobre; o interesse comum… ecos das bombas da era Bush que continuam explodindo.
Pergunta filosófica formulada aos alunos do Dr. Negociação – Negociações Complexas, Vídeo aula 3:
Você acredita que a mudança de interlocutor pode promover mudança nos rumos de uma negociação?
Cuestión filosófica formulada a los estudiantes del Dr. Negociación – Negociación Complex, lección Video 3:
¿Cree usted que el cambio de interlocutor puede promover el cambio en la dirección de una negociación?






Artigos Relacionados
5 usuários respondeu esse post
[...] Leia também: APRENDA A NEGOCIAR COM BARACK OBAMA 1 [...]
[...] Assessorando o Público Interno [...]
[...] NEGOCIAÇÕES COMPLEXAS: [...]
Aunque todo depende de las circunstancias concretas de cada negociación, un cambio de interlocutor, incluso defendiendo el mismo punto de vista que el anterior, puede suponer un cambio en la dirección de dicha negociación. El retomar un conflicto con nuevas caras, presupone que la mente de los participantes está más abierta a que el nuevo integrante pueda aportar novedad, pero además dicha persona puede presentar el mismo tema con argumentos diferentes, mostrando y/o convenciendo de sus bondades.
Ainda que com somente “con nuevas caras”, verifica-se algo de novo. Em uma negociação paralisada, comprometida, condenada, a inovação quanto ao interlocutor ou qualquer inovação significa uma modificação. Em um cenário estático uma modificação representa movimento e um movimento é uma possibilidade. Acredito que a mudança de interlocutor em uma negociação condenada é uma alteração substancial, pois negociação é coisa de gente, o seu sucesso esta vinculado à capacidade das pessoas envolvidas na cena.
Deixe um Comentário: