PORQUE A EXPULSÃO DA ESTUDANTE ACONTECEU EXATAMENTE NAQUELA UNIVERSIDADE? O QUE PODE ACONTECER DE BOM E DE RUIM A PARTIR DO ESCÂNDALO?

OS ESTUDANTES, AS FACULDADES E A MINI-SAIA ROSA

Porque aconteceu?

O que acontecerá?

Existe algum fator específico, exclusivo e especial que tenha determinado a ocorrência da expulsão da estudante exatamente daquela Universidade paulista?

A jovem, em especial, reune atributos que a distingue do conjunto das outras, tornando-a potencialmente diferente e portanto a causa específica de um escândalo?

Ou, não sendo a escola nem a jovem portadores de qualquer diferenciação, poderíamos encontrar a resposta em fatores específicos da mini-saia?

Não sendo nem a jovem, nem a escola, nem a mini-saia a resposta para este enígma, poderíamos dizer que são os alunos?

A resposta clara é: o ocorrido poderia ter ocorrido em qualquer escolas, com qualquer jovem, com qualquer vestido e, até mesmo, sem vestido!

Vamos olhar para o ocorrido com os nossos óculos rosa, aqueles que usamos para ver as coisas como gostaríamos que fosse não como elas são.  Maridos vem até mim para tirar os óculos rosa que utilizam para olhar para a mulher ideal.  A mulher ideal vem até mim para tirar o óculos rosa que utilizam para olhar para o marido real.  Pais aqui comparecem para retirar o óculos rosa.  Filhos também.  Tenho uma coleção de óculos rosa que todo dia alguém deixa em cima da minha mesa, onde deixaram porque proibidos de verem o mundo na cor falseada da ilusão.

Vamos olhar para o ocorrido com os nossos óculos rosa, aqueles que usamos para ver as coisas como gostaríamos que fossem não como elas são. O Marido Ideal vem até mim para tirar o óculo rosa que utiliza para olhar para a Mulher Ideal. A Mulher Real vem até mim para tirar o óculos rosa que utiliza para olhar para o Marido Ideal. Pais aqui comparecem para retirarem o óculos rosa. Filhos também. Tenho uma coleção de óculos rosa que todo dia alguém deixa em cima da minha mesa, onde deixaram porque proibidos de verem o mundo na cor falseada da ilusão.

MINI-SAIA ROSA X ÓCULOS ROSA

Tire o óculos rosa. Não vamos tampar o sol com a peneira. Não há nada de novidade no ocorrido. Todos nós já sabemos que o nível educacional e cultural brasileiro é hororroso.

Querem uma prova? Você acredita que visitando nossas escolas encontraremos intelectuais? Ou você acredita que a função das escolas não é promover a intelectualização? Este é o “X” da questão. Nossa sociedade se acostumou com a escolas para darem diploma, escolas para darem presença, escolas para darem nota. A sociedade brasileira não espera que a escola dê atributos intelectuais, pois o arquétipo do intelectual no Brasil é do garoto esquisito, a menina estranha, sejamos claros: do CDF! Da mesma forma que ampla parcela da população compreende o trabalho como um lento caminho até a aposentadoria, a Escola é percebida como um chato caminho até ao diploma. Este é o fim. De fato: um fim.

Não compreendi porque os jornalistas da Tv se mostraram indignados com a selvageria: eles não assistem à programação da sua própria Tv? O que se pode ver nos filmes? Solidariedade, colaboração, compreensão do humano? Nossa televisão se transformou em máquina de moer carne e ainda tem a cara de pau de se dizerem afrontados com as notícias que apresentam, mostram se surpresos com a selvageria quer nas escolas quer nas favelas.

Os políticos também declaram surpresa: estão eles mais acostumados com o colarinho branco dos selvagens do congresso? Após protagonizarem tantos escândalos estão escandalizados com os alunos, a aluna, a mini-saia e com a estupidez da direção da Universidade?

E as demais autoridades? Assistiram a sessão no Supremo onde um Ministro acusava ao outro (e vice versa) de não terem moral para serem Ministros? Alguém assistiu à sessão do Tribunal de Justiça do Maranhão onde acusações foram trocadas entre os Desembargadores, como se fosse uma pelada de moleques jogando bola, ao sol tropica, vestido de togas?

Convenhamos: aconteceu naquela específica Universidade não porque ela é melhor ou pior, mas porque ela é o que a sociedade brasileira elege como o padrão de normalidade.

E, não, esperem outra coisa. A cena vai se repetir. Outras faculdades promoverão suas próprias barbáries e protagonizarão seus próprios filmes no YouTube.

Provavelmente você só irá se importar quando o evento acontecer na faculdade onde seu filho e filha buscam o diploma, porque somos amantes da agenda reativa: só criamos agenda para reagir. Mansos, pacatos, cordeiros, imbessilizados, não agimos, apenas reagimos quando os holofotes da televisão indicam que chegou a hora de vaiar ou bater palmas. Nossa imensa sala de aula é habitada por professores chamados Xuxa, Faustão, Gugu e os cursos que nos educam trocam de nome todo ano e são encapsulados em novelas, seriados e outros explosivos programas educacionais.

Aconteceu nesta escola e vai acontecer em outras, repito. Os estudantes entenderão a própria força midiática de atentarem contra a imagem das Faculdades (evento fácil porque a relação entre escola e estudante é péssima). Chamarão a esta chantagem de “democracia” e políticos oportunistas perceberão como “movimento estudantil”. Empresários assustados sairão do ramo e venderão suas posições para as mega corporações. O resultado final será de cunho econômico: concentração e as suas já conhecidas consequências.

Tem alguém surpreso ai?

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  1. adriano
    novembro 12th, 2009 at 12:17 | #1

    como já dito por Nelson Rodrigues, o velho maldito, “só o rosto causa constrangimento, do pescoço para baixo podemos andar nús”.

    abraço

    • novembro 15th, 2009 at 12:22 | #2

      Dr. Adriano Antônio de Oliveira, sei que seu comentário encontra fundamento no fato de advogar para o meio artístico e ver nos palcos nacionais os seus mais frequentes clientes. Nelson Rodrigues oscilaria entre o divertimento à completa decepção ao observar a cena desta comédia. Mas, o verdadeiro escândalo é perguntar aos estudantes em fúria o que eles pensam de Nelson Rodrigues. A resposta é a resposta: eles nada pensam sobre Nelson Rodrigues, nada sabem sobre Nelson Rodrigues, ainda que sejam todos estudantes… este é o verdadeiro escândalo.

  2. novembro 16th, 2009 at 00:34 | #3

    Muito bom o post Nacir. Você está corretíssimo. Nada me espantou com o ocorrido. De fato o que me espantou foi o fato da população, políticos e imprensa terem fingido que isso não acontece todos os dias no Brasil, de formas diferentes menos hostilizadoras, mas não muda a situação da “CULTURA” no Brasil, e principalmente de forma sábia apontado por você no post, não muda o objetivo buscado pelas escolas e universidades brasileiras. O caso da Geise só virou escândalo porque a universidade está situada na cidade de São Paulo, onde repórteres passam os dias procurando notícias para transmitirem para todo o país. Esse tipo de situação é comum nas melhores universidades do país. E por experiência própria eu confirmo o que o Nacir afirmou, não encontraram nenhum intelectual nestes locais e sim apenas Títulos de Doutorados, Pós Doutorados e uma fábrica de artigos científicos (eu mesmo já tive alguns). Apenas alguns raros casos, que são como câncer no sistema acadêmico nacional. Eu fiz Engenharia na Universidade Federal de São Carlos, considerada uma das melhores universidades do país e este tipo de situação sempre ocorre invariavelmente (não especificamente com relação a saias, pois a reação seria oposta com relação à mini-saias na UFSCar e USP São Carlos) durante os anos, mas de forma mais sutil, assim todos podem fingir que não é um problema cultural. Quando eu entrei me lembro que todos os alunos estavam FURIOSOS, não por causa de uma mini-saia e sim porque uma garota, segundo todos os veteranos e professores, “Muito CARETA, LOUCA e mal AMADA” foi CULPADA pela proibição de venda de bebidas alcoólicas dentro do campus. Tudo porque a CULPADA (segundo Doutores e PHDs) chamou a polícia para prenderem alguns alunos (meus veteranos), que saíram de uma festa diretamente para o quiosque de convivência da universidade logo pela manhã, ligaram o som do carro, compraram algumas caixas de cerveja e começaram a provocar as alunas que passavam, todas riam, pois nós brasileiros achamos engraçado tudo, mas uma garota DIFERENTE se ofendeu quando a chamaram de um nome que não seria adequado postar neste blog, e logo em seguida começaram a jogar algumas notas de 50 reais no pé da garota, ela ligou pra delegacia da mulher e a reitoria não queria deixar a polícia entrar (obs:A universidade tem seus próprios guardas que não fizeram nada), mas como tinha uma denúncia da própria aluna invadiram e levaram os garotos, no entanto o caso foi apenas corriqueiro, a garota virou a CULPADA, que procura confusão e os garotos que apenas assinaram alguns papéis voltaram no outro dia e ficaram com toda fama, rendendo muito na popularidade dos mesmos. Nos Estados Unidos eles estariam ainda presos só de terem dirigido bêbados, o Reitor da UFSCar teria um processo que mancharia sua carreira, mas Brasil é Brasil, o reitor tornou-se prefeito da cidade na próxima eleição. Não se engane, pois nada tem a ver com o fato da UNIBAN ser uma péssima universidade. Na USP acontecem coisas piores, apenas não viram notícias porque virou parte de nossa cultura. A saia só foi mais peculiar, mas acontece de outras formas que achamos normal, mas em alguns países é um absurdo. No Brasil todos gostam de mini-saia, por isso o escândalo, mas ninguém discute o real crime. Ninguém pensou que o absurdo é a policia escoltar ela ao invés de PRENDER os que estavam à volta. Quando digo prender, quero sim dizer ir pra CADEIA, processo criminal, pois todos são maiores de idade, e não a discussão de baixo nível do mérito da mini-saia. O Brasil está longe de saber o que significa o direito individual e expressão. Se ela fosse declaradamente vulgar ela tem o direito não é crime. Crime é cercar uma pessoa, hostilizá-la privando-a do direito universal de ir e vir ao ponto de precisar de escolta policial.
    Aqui os papéis se invertem.
    Na UFSCar a aluna era a que provocou confusão, pois o reitor achou desnecessária a ação da garota. Assim nós brasileiros votamos nele para prefeito pelo simples fato dele ter um doutorado. No final do programa Altas Horas da rede Globo o apresentador não falou sobre o crime cometido pelos alunos e universidade como instituição responsável, e sim falou: “Alguns concordam com a opinião da Geise outros discordam, o importante é a discussão…” seguido de alguns aplausos e algumas vaias.
    MEU DEUS! Será que um repórter da maior TV nacional não tem a inteligência de saber que estamos no século 21? OS ALUNOS COMETERAM UM CRIME. São maiores de idade, deveriam estar presos INDEPENDENTE da vontade da GAROTA ou dela ser vulgar ou prostituta ou qualquer outra coisa. Ela poderia ser até procurada pela justiça. Ainda sim os alunos e a universidade cometeram um crime GRAVE. Não diz respeito à aluna e sim a JUSTIÇA.
    Recomendo os brasileiros lerem um pouco sobre Joh Locke e outros da área.
    Realmente Nacir isso acontece todos os dias e não vai parar de acontecer aqui no Brasil.
    Fora outros casos que eu poderia ficar meses postando aqui. Todos ocorridos na USP, UFSCAR, UNESP e UNICAMP. Nosso celeiro de ouro, onde convivi durante anos.
    Abraços.

  3. novembro 16th, 2009 at 06:23 | #4

    Rogério, você que estuda fenômenos comportamentais e mudanças de paradígmas nos negócios e hábitos de consumo a partir do uso intensivo da internet, pode bem estabelecer bases do impacto do YouTube sobre o marasmo do universo estudantil brasileiro. O fenômeno da mini-ban/uni-saia é também um fenômeno da internet, do paradoxo da pressão sofrida por um indíviduo confrontado com o poder de um indivíduo para se comunicar de forma difusa e viral. O que vimos foi a ditadura da maioria sobre a minoria e o poder da minoria de expor luzes sobre o abuso. A internet devolveu ao indivíduo o poder de se contrapor a um sistema, quando este se torna opressivo.

    Saiba mais sobre o gênio de Rogério Alan Cruz lendo: http://www.adequacao.com.br/blog/2009/02/tora-tora-o-futuro-do-supermercado/

  1. novembro 12th, 2009 at 07:51 | #1