CAETANO VELOSO: CAMINHADO CONTRA O VENTO SEM LENÇO SEM DOCUMENTO… SEM PALAVRA

CAETANEAR: PALAVRA FEITA PARA REVELAR, OCULTAR OU DESCULPAR?

LULA SABE LER E CAETANO NÃO SABE FALAR

Lembra do tempo do Homem de Palavra?

Quanto tempo dura uma palavra?

Depende… depende do Homem, depende da palavra.

Caetano Veloso declarou que a ex-Senadora Marina Silva “… não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro.

Caetano é poeta e músico dos melhores, mas tem dificuldade para lidar com as palavras. Sim, dificuldades, pois para definir uma pessa precisa definir outra, para qualificar Marina Silva precisa qualificar Lula Silva.

Sabe-se que o objeto de uma definição será melhor e mais eficazmente definido se a ele forem atribuídos elementos relacionados com ele mesmo. Ao contrário, uma definição indireta na qual um objeto encontra sua definição pela negação de atributos pertencentes à definição de outro objeto é um complexo labirinto que mais complica que explica. Utilizada dessa forma, da forma usada por Caetano Veloso, a palavra serve mais para ocultar do que para revelar, o que sempre fica muito bem em seus poemas, se escritos para serem convertidos em músicas.

Mas, quando esta poesia vira entrevista… não dura sequer uma semana.

A comentada entrevista foi publicada em  O ESTADO DE SÃO PAULO na edição de 5 de novembro de 2009, já na semana seguinte Caetano Veloso desmentia sua fala. Mas como desmentir o que está escrito e possivelmente gravado? Por uma habilidade sofística: a desconstrução da credibilidade do veículo, da mídia e do jornalista ao chamar a “edição sensacionalista das minhas palavras”.

Assista à entrevista de Caetano Veloso em Portugal, onde o poeta transforma sua palavra anterior em uma expressão de menor (ou nenhum) valor ou mudar o tom de dizer que “… Lula não é analfabeto!“  Terá Lula deixado de ser analfabeto em menos de uma semana?  “…por que esse tom me parecia semelhante ao tom grosseiro que tanto me desagrada na nova direita que faz sucesso nos média“.

Caetano qualifica a edição da entrevista como de tom típico da Nova Direita. Nova Direita é a nova forma da Velha Esquerda expurgar suas culpas atribuindo culpa aos outros.

O que iguala um homem de esquerda a um homem de direita é a sua capacidade de transferir seus próprios erros, falhas e culpas para o outro lado… em ambos os lados encontramos muitos “homens de esquerda” e “homens de direita” e raríssimos “homens de palavra“.

NÃO É VERDADE QUE LULA NÃO SAIBA LER

É verdade que Lula não gosta de ler

E é verdade que Caetano não gostou de ler o que disse sobre Lula não saber ler…

Mais simples seria Caetano apenas dizer: “eu não deveria ter dito o que penso, me desculpem público, me desculpe Lula“. Mas, o poeta preferiu optar por atribuir a culpa à terceiros, no caso ao veículo que prefere chamar de “média” quando o normal seria mídia (tudo bem, opção poética e tem quem compra essa bobagem).

O TRÊSPorque o Presidente da República não gosta de ler há quem leia Caetano Veloso, que tem muitas dificuldades com as palavras. Na mesma entrevista, ao comentar sobre a corrida presidencial diz um festival de besteiras, quando seria mais honesto, direto e simples, dizer “Só sei que nada sei!“. Ao abdicar da humildade socrática emitiu sua opinião sobre 3 candidatos utilizando 3 “talvez” em 3 frases. Talvez ele não soubesse nada de absoluto, talvez fosse melhor ter ficado quieto, talvez

…Vou falar em Aécio, de quem eu gosto muito. Talvez seja meu favorito entre os gestores. Porque acho que o Serra talvez ficasse mais isolado que o Aécio. E a Dilma talvez ficasse muito presa ao esquema estabelecido de ocupação dos espaços estatais pelo governo do PT…

A palavra é um gráfico: se escrita, lida e relida, permite traduzir o zig zag da incoerência humana.

Porque os foruns estão cheios de processos onde as partes discutem os contratos que assinaram e não cumpriram?

Porque o sistema judicial está cheio de instâncias revisoras, para uma segunda palavra sobre a última palavra de um juiz?

Porque os tribunais se reunem em turmas, onde cada ministro tem direito a sua palavra, seu juízo, para da síntese extraírem um julgamento?

Simples, humanamente simples: palavras são veículos da opinião do ser humano e opinião é opinião, muda conforme as circunstâncias.

Se a opinião é pessoal, a verdade é universal e este é o ponto de divergência entre uma e outra.

Houve um tempo em que dizia que tal homem “é de palavra”.

Este tempo já passou, pois a palavra dita passou a ser escrita e assinada para expressar o compromisso.

E a palavra escrita tornou-se melhor expressão da verdade? A palavra escrita firmou-se mais rígida?

Veja a resposta nas mesas das serventias de qualquer dos foruns do mundo: as palavras escritas nos contratos e nas leis transformaram-se em sugestões que, não respeitadas, transformaram-se em uma montanha de contraditório, um contencioso de papel ou digital: literalmente uma guerra de palavras provocada pela ausência de valor delas.

LULA SABE LER

LULA NÃO GOSTA DE LER

LULA ENTENDE QUE A A ESCOLHA DA QUALIDADE DA PRESIDÊNCIA

É RESPONSABILIDADE DO POVO, NÃO DO CANDIDATO

Caetano está errado ao dizer e desdizer. Lula está errado ao se candidatar. Ao se candidatar à condição de líder do Brasil esta retirando de si a responsabilidade da escolha e transferindo ao povo. Não por saber ler, mas por não gostar de ler, Lula se fez impedido para ocupar o mais alto cargo da República. Dirá nosso Presidente que no Brasil temos 500 anos de desgoverno de leitores, letrados, diplomados e que muita cultura tinham os governantes que muito roubaram, dai concluirá que o fato de não ser amante da leitura o faz mais parecido com o próprio povo, portanto com maior vocação de dirigir o povo, etc, etc, etc.

Equivale dizer a um paciente que não encontrou sucesso em um tratamento médico que todos os médicos que se equivocaram no diagnóstico eram formados em medicina, que chegara então a hora de encontrar a cura em um curandeiro…

Se gostasse de ler teria Lula a oportunidade de saber que desde Platão até Maquiavel é profundamente anti-ético pretender ser dirigente de uma nação sem que esta mesma nação tenha o líder como mestre, o sábio que sabe recusar o poder como uma pretensão e assumir como uma obrigação. A ética do poder é platônica por excelência, e Platão idealiza em sua República que somente ao sábio é dado o saber de como governar sem a ambição do próprio ego, o ódio do partido e a bandidagem  dos aliados.

O ethos da sabedoria e do perfil culto como pré-requisito para o exercício do poder é uma condição platônica quebrada apenas por Maquiavel, quando houve o divórcio ético da política quando então todos os meios e formas passaram a justificar o fim e o poder passou a ser entronizado como um fim em si e não um meio para a evolução da sociedade.

Lula não inventou o divórcio ético, ele foi inventado por N. Maquiavel.

Lula não leu Platão, não leu Maquiavel e provavelmente não lerá A República, mas entende que possui legitimidade para comandar a República, pois a escolha é um problema do Povo, responsabilidade do Povo.

Lula não inventou o divorciou entre ética e política, apenas repetiu o divórcio que no Brasil já dura 500 anos e no Ocidente 1500 anos.

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